sábado, 22 de dezembro de 2007

Luzes animam a cidade.


Como é bonito andar pelas ruas, pelo menos aqui em São Paulo, durante a época do Natal. Apesar da correria, do trânsito acentuado, de shoppings lotados, filas e mais filas, mas quando a noite começa a chegar surge uma cidade que muitas vezes passa desapercebida por nós paulistas. São as luzes das decorações de Natal, que vem para embelezar ainda mais uma cidade maravilhosa, mas ao longo do ano com uma aparência cinzenta. Enfim, o Natal chegou novamente. E ainda bem que com o Natal nasce em nós novamente a esperança de um mundo melhor, aonde as pessoas se reúnem para se confraternizarem, se dedicar umas as outras, se abraçar, trocar presentes. Momento em que famílias, amigos estão ao redor de uma mesa, farta ou não, mas rodeados do sentimento do amor, da caridade. È uma pena que Natal comemoramos apenas uma vez por ano, deveria ser pelo menos uma vez a cada dois meses, assim teríamos mais manifestações públicas de amor e afeto ao próximo. Que neste Natal não nos esqueçamos de agradecer a Deus, pelo nascimento de Jesus, pela esperança trazida ao mundo de uma vida melhor. Que possamos re-avaliar nossas posturas frente a este mundo tão necessitado. Neste ano, em minha casa, será como sempre um momento especial. Apesar da ausência das minhas irmãs que estarão viajando com suas respectivas famílias estarei reunido com aqueles que me deram a condição de estar aqui escrevendo essas “linhas de palavras”, meus pais que eu amo tanto. Sou um filho muitas vezes falho, relapso, mas nunca ingrato por tudo que eles me ofereceram e me oferecem até hoje. Um Feliz Natal para todos que porventura leiam essas palavras, cheio de amor, paz, bondade e felicidades !!! E que venha 2008 !

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Mãos ao alto Portinari e Picasso


Em mais um assalto inexplicável, frente a tanta segurança, mais duas obras foram roubadas do MASP, em plena Avenida Paulista. Foram roubadas “O Lavrador de Café” de Portinari e “O Retrato de Suzanne Bloch” de Picasso, obras que estão entre as mais importantes do acervo do museu. O mais curioso, é que na noite do assalto a Avenida Paulista estava interditada, como é feito todos os anos nessa época do ano, para a montagem do imenso palco para o show da virada. Talvez por isso os seguranças não conseguiram chegar até o museu ou então a polícia não pode perseguir os possíveis assaltantes. O certo é, nossas obras de arte e muitas outras coisas são roubadas bem abaixo do nosso nariz, sem nenhuma preocupação das autoridades. O Masp passa por uma situação financeira muito difícil, tive o infeliz privilégio de presenciar a precariedade da qual o museu está sendo mantido, com infiltrações e desgastes tanto externos como internos. Esse fato não é o primeiro nem exclusividade do Masp, outro museu importante da cidade, o Museu do Ipiranga, também foi assaltado nesse ano e o curioso é que peças desse assalto foram encontradas em acervos particulares de grandes colecionadores. Será que estes digníssimos capitalistas e privilegiados em ter obras de artes de grande importância internacional não verificam a origem de suas compras, ou também comprar sem nota fiscal, sem pagamento de impostos ou no comercio paralelo ? Posso definir um sentimento com uma única palavra após saber deste fato: lastimável !

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Amigo (desconhecido) secreto !!




Nessa época do ano vários de nós somos convidados ou até mesmo obrigados a participar de alguma festa de “amigo secreto”. Mas isso se torna tão complicado às vezes não é mesmo ? Na escola em que eu realizo um projeto de pesquisa pelo Governo do Estado de São Paulo não foi diferente. Algumas semanas atrás começou a passar uma lista para aqueles que gostariam de aderir à festa. Alguns professores ou funcionários da escola optaram em não participar, mas essa vontade foi tirada a partir do momento em que a diretora da escola, uma mulher muito cheia de luz e “jeitinho” convenceu os mesmos a mudar de idéia, e para alguns destes acabou causando um certo constrangimento. Uns porque não estavam em condições financeiras de participar e outros porque não se sentiam a vontade para participarem desse momento, talvez por falta de envolvimento com os demais colegas de trabalho. Bom, chegou o dia da festa e lá estavam todos, mais ou menos umas 40 pessoas, com seus pacotes de presentes. A entrega começa e é notório que algumas pessoas nunca viram o seu “amigo” que a partir daquele momento deixava de ser secreto até para ele mesmo. Eu mesmo passei uma saia justa para a compra do presente da minha amiga, quando olhei o nome da pessoa a primeira pergunta: Quem ela é? Depois algumas perguntas mais específicas: É velha ou nova? Qual o biótipo dessa pessoa? Bom depois de algumas informações, um tanto vazias, consegui comprar algo que qualquer pessoa gostaria, ou melhor, eu acho que qualquer pessoa gostaria. Comprei uma pequena estatueta de resina de uma garotinha do campo com longos cabelos de lã e um chapéu de palha. No momento da entrega, confesso que fiquei um pouco tenso, não imaginava como seria a reação da minha “amiga secreta” ao abrir o pacote, que por sinal era um dos pacotes mais bonitos que pude ver na festa. Mas para minha surpresa e alívio ao abrir o pacote ela me disse que eu não poderia ter sido melhor na escolha, tendo em vista que ela coleciona em sua casa esse tipo de estatueta. Ufa, eu senti um alívio e com o dever cumprido ou pelo menos certo de que não tinha dado nenhum fora. Agora, aonde estão meus amigos de verdade para que possamos fazer uma festinha nossa ?? Ou é melhor me contentar mesmo com os amigos desconhecidos ??

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

A nata serve pra que mesmo ?



Me deparei com uma legenda em uma foto do orkut que dizia “a nata”. Achei engraçado na primeira vez, mas depois comecei a questionar. Porque será que as pessoas desejam tanto ser a nata? Convenhamos que a nata é tão desprezada pela maioria daqueles que apreciam beber leite. Ainda mais em tempo de água oxigenada misturada em sua composição. Não que a nata seja algo negativo, até tem boas finalidades, como os deliciosos biscoitos que minha mãe costumava preparar depois de armazenar uma quantia considerável. Mas por outro lado, vemos que quase a maioria, das pessoas, usam uma colher para retirar de seu copo, resíduos de nata, alguns chegam até vomitar quando levam à suas bocas e sentem o sabor quase que imperceptível. É, a nata é algo muito sem sabor. Ou então, tem sabor, que somente outra nata pode reconhecer. Enfim, é sem graça. Na nossa vida diária, usamos essa expressão “a nata”, para reconhecer pessoas que se dizem especiais em alguma coisa, diferenciados dos demais. Mas isso que benefícios traz? Ser o leite, no sentido de vida, seria muito mais interessante. Estar junto, ter o prazer de socializar com aqueles que estão ao seu redor, trocar experiências. Particularmente não quero subir a condição de nata. Prefiro continuar leite, estar no meio de pessoas, rodeado de pessoas, desejado e rejeitado, mas como leite. Coitada da nata que fica armazenada num copo dentro da geladeira, esperando se juntar as demais para poder render algo, isso quando não estraga de tanto tempo solitária, no fundo frio de um refrigerador qualquer. Leite ou nata, o que você prefere ser ??

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O longo caminho do corredor.


Tocou o sinal. Eram três horas em ponto, tarde fria. Logo após o estrondoso barulho, a algazarra de sempre. Um pra lá, outro pra cá. Risadas, gargalhadas, gritos, assovios. Aos poucos, muito lentamente, o barulho começou a cessar, as pessoas a se dirigirem a suas salas e eu continuava lá, parado, anestesiado, ou melhor, enterrado, sem conseguir dar um passo.
À minha frente, um longo corredor, com acabamento de cimento batido, encerado, muitas vezes até escorregadio. Comecei a caminhar um passo atrás do outro, retardando cada momento a hora em que teria de, querendo ou não, chegar àquela porta.
Depois de alguns passos, após aquele barulho infernal, o silêncio era presente, apenas as vozes dos professores, que logo em seguida aos alunos, adentraram e começaram a desenvolver suas aulas.
Meu coração começou a acelerar, eu suava frio, minhas pernas doíam e um silêncio assustador ecoava de dentro da minha sala. Provavelmente, este mesmo silêncio se explicasse pelo medo de todos, inclusive o meu, de realizar aquele teste de inglês, principalmente em conhecer as dificuldades de sempre proporcionadas por aquela professora, que nem sangue nas veias parecia ter.
Respirei fundo, antes de dar o último passo, para alcançar aquela maçaneta, não tinha como voltar atrás. Estiquei meu braço e quando estava pronto a pedir permissão para entrar na sala algo estranho chamou minha atenção. A sala estava vazia !! Escancarei a porta, sem entender o porquê da ausência dos alunos e quando olho para o quadro negro, leio o seguinte anúncio: “Avaliação cancelada. Professora adoentada”.
Ufaaaa, me livrei!

domingo, 16 de dezembro de 2007

Quanto maior a diversidade, maior o preconceito.


Vivemos em dias de desenvolvimento acelerado na maioria das áreas na vida do ser humano. O crescimento tecnológico, a robotização de serviços e as descobertas na área da saúde, são algumas delas, mas não se pode deixar passar desapercebido a grande diversidade encontrada dentro de uma mesma comunidade, de um mesmo povo, de uma mesma nação que usa de todas estas descobertas. E talvez por isso, é quase que impossível entender que, apesar de tanta capacidade de novas descobertas e novas adaptações com toda essa tecnologia não exista também um desenvolvimento no respeito ao simples fato de cada ser humano escolher viver de maneira diferente. É o que caracterizamos de preconceito. Mas afinal de contas o que é o preconceito? Segundo a definição encontrada no dicionário Aurélio, preconceito é um conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados ou então antipatia ou aversão a outras raças, religiões, classes sociais, etc. E justamente este “etc.” citado na definição é o que mais preocupa a sociedade. Hoje em dia nos deparamos com preconceitos em assuntos além dos chamados “imorais ou fora da normalidade social”, como homossexualismo, usuários de drogas, seguidores de movimentos punks, emocords, entre outros. Podemos observar preconceito a um indivíduo pelo simples fato de gostar de um determinado gênero musical, um gênero de filme ou programa de TV, uma maneira particular de vestimenta ou até mesmo pelos seus atos alimentares. O que nos espanta é o fato de em pleno século XXI, aonde temos acesso a tantas informações vindas de qualquer lugar do mundo através da TV ou da Internet, não temos a capacidade de entender ou simplesmente respeitar a diferença da qual nosso próprio vizinho vive. E por esse motivo, acabamos o isolando de nosso convívio social e em casos de extrema ignorância partimos para a ofensa verbal ou até mesmo agressão física. Então a pergunta que fazemos a nos mesmo, sociedade, é: até quando iremos tratar nossos diferentes de maneira agressiva, sem ao menos dar a eles a oportunidade de conhecer sua maneira de viver e pensar? Porque nós é que sempre estamos com a razão? Porque o nosso modelo é o correto e eficiente para uma vida chamada “moralista”? Talvez você esteja dizendo que não é uma pessoa preconceituosa, mas basta você analisar com um pouco mais afinco que poderá encontrar alguma atitude comportamental em algum conhecido ou parente que você tem dificuldades em lidar e por isso não consegue se aproximar ou deixar que essa pessoa se aproxime de você. Lamento lhe informar mas você é como eu e quase toda a humanidade, você é um preconceituoso.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Um encontro marcante.


Uma senhora foi abordada por um rapaz na rua, ela olhou a princípio assustada, até que ouviu: “Professora, quanto tempo!” Daquele momento em diante, depois do seu coração acalmar, a conversa rolou por alguns minutos, lembrando fatos marcantes, de uma relação, até então, passada desapercebida, talvez para ambos, mas naquele momento foi como se os dois tivessem, exclusivamente, vivido aqueles fatos. O tal jovem, bem vestido, com seus cabelos modernos, gesticulava sem parar, contanto, relembrando, momentos que foram referência que espelhavam seu caráter, suas escolhas e o que o tornou o homem ali presente. A senhora, agora professora, olhava, e como num passe de mágica, voltou reviver aqueles dias, em que diariamente, se vestia, se penteava, se olhava no espelho para se preparar a encarar um sonho diário que se concretizava, passar não apenas os conhecimentos de português, matemática, etc., mas formar cidadãos, essa era sua fala em sala de aula preferida: “vocês são os futuros cidadãos desse país”. E bem ali à frente dela, estava um cidadão. Enquanto o jovem continuava a falar, quase sem respirar, os seus olhos marejavam em lágrimas, seu coração voltou a bater acelerado, suas mãos tremiam, até parecia que era a primeira vez que ela vivia aquela situação. Depois de alguns momentos, arrancando forças, a professora, com sua voz trêmula e claramente emocionada disse: “Você não imagina o quanto estou feliz em reencontrá-lo, ver que você se tornou um homem de caráter, em olhar pra trás e ver que todo o esforço, até mesmo os dias mais difíceis resultaram em um homem como você. Cheio de vida, de sonhos realizados e concretizados e aqueles pequenos sonhos ou momentos que vivenciamos juntos, tanto tempo atrás, tenha ficado gravado em sua mente de uma maneira positiva”. Agora era a vez do jovem se emocionar e dizer: “Você foi meu exemplo professora e eu te agradeço por isso!”. O tempo parecia parado entre aqueles dois, os carros passavam pela rua, buzinavam, pessoas passavam pela direita, pela esquerda e os dois ali parados, trocando e confirmando a influência de um e de outro na suas vidas. O jovem, que não parava quieto com suas mãos e cada vez mais empolgado com a conversa, da mesma maneira que surgiu, tomou a iniciativa: “Professora, tenho de ir, preciso chegar a tempo no trabalho”. A senhora, com seu olhar terno de sempre, balançou a cabeça positivamente, concordando com o fim daquela conversa, o abraçou, o beijou no rosto e disse: “Vai em paz filho, continue no seu caminho, sendo esse homem de beleza inconfundível, de caráter e perseverança nos seus sonhos” Quando se afastaram um pouco a professora voltou a falar: “Hei, você apenas não me disse uma coisa, você hoje, atualmente, trabalha com o que?” Ele parou, olhou para seus olhos e como se sua alma se manifestasse naquele momento disse: “EU SOU UM PROFESSOR!” Os dois sorriram e continuaram seus caminhos, certos de que sua missão era maior do que uma transmissão de conhecimento, e sim de relações de caráter, dignidade e cidadania.


* Texto escrito em comemoração ao dia dos professores em 15 de outubro de 2007

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A vida começa aos 90 !






Hoje assisti uma matéria no telejornal que me deixou pensativo. Sempre ouvi que a vida começa aos 30, depois comecei a ouvir que a vida começa aos 40, tudo isso porque, segundo especialistas ou intrometidos, é a fase da vida aonde atingimos a total maturidade pessoal, realização e estabilidade profissional e sentimental, enfim uma série de fatores. Será isso mesmo verdade? Na matéria em questão, aos 90 anos de idade dona Florinda está prestes a concretizar o que deveria ter sido realizado no mínimo à 85 anos atrás. Enquanto muitos não visualizam vida aos 90 anos ou muitos nem conseguirão atingir essa idade tão expressiva, dona Florinda está apenas começando a viver. E o motivo desse novo recomeço, ou de uma nova vida aos 90 se chama “alfabetização”. Dona Florinda acabou de participar de um projeto de alfabetização para pessoas que não tiveram oportunidade de estudar e agora podem “começar a viver”, livres da escravidão que é o analfabetismo. O que deveria ser um direito, não apenas reconhecido mas concretizado de maneira eficiente, ainda é visto por muitos como um assessório de luxo.”Vivi com uma família que apenas me obrigava a trabalhar e agora que eu aprendi a ler e a escrever sou eu mesma” – palavras de Dona Florinda, que no momento da entrevista segurava em suas mãos folhas de um jornal que estava lendo. Hoje, dia 14 de Dezembro de 2007 será realizada a cerimônia de formatura de dona Florinda e seus colegas deste curso, que não é apenas um curso, um projeto, mas um libertador de vidas, de alma, de sonhos e de realizações.