
Uma senhora foi abordada por um rapaz na rua, ela olhou a princípio assustada, até que ouviu: “Professora, quanto tempo!” Daquele momento em diante, depois do seu coração acalmar, a conversa rolou por alguns minutos, lembrando fatos marcantes, de uma relação, até então, passada desapercebida, talvez para ambos, mas naquele momento foi como se os dois tivessem, exclusivamente, vivido aqueles fatos. O tal jovem, bem vestido, com seus cabelos modernos, gesticulava sem parar, contanto, relembrando, momentos que foram referência que espelhavam seu caráter, suas escolhas e o que o tornou o homem ali presente. A senhora, agora professora, olhava, e como num passe de mágica, voltou reviver aqueles dias, em que diariamente, se vestia, se penteava, se olhava no espelho para se preparar a encarar um sonho diário que se concretizava, passar não apenas os conhecimentos de português, matemática, etc., mas formar cidadãos, essa era sua fala em sala de aula preferida: “vocês são os futuros cidadãos desse país”. E bem ali à frente dela, estava um cidadão. Enquanto o jovem continuava a falar, quase sem respirar, os seus olhos marejavam em lágrimas, seu coração voltou a bater acelerado, suas mãos tremiam, até parecia que era a primeira vez que ela vivia aquela situação. Depois de alguns momentos, arrancando forças, a professora, com sua voz trêmula e claramente emocionada disse: “Você não imagina o quanto estou feliz em reencontrá-lo, ver que você se tornou um homem de caráter, em olhar pra trás e ver que todo o esforço, até mesmo os dias mais difíceis resultaram em um homem como você. Cheio de vida, de sonhos realizados e concretizados e aqueles pequenos sonhos ou momentos que vivenciamos juntos, tanto tempo atrás, tenha ficado gravado em sua mente de uma maneira positiva”. Agora era a vez do jovem se emocionar e dizer: “Você foi meu exemplo professora e eu te agradeço por isso!”. O tempo parecia parado entre aqueles dois, os carros passavam pela rua, buzinavam, pessoas passavam pela direita, pela esquerda e os dois ali parados, trocando e confirmando a influência de um e de outro na suas vidas. O jovem, que não parava quieto com suas mãos e cada vez mais empolgado com a conversa, da mesma maneira que surgiu, tomou a iniciativa: “Professora, tenho de ir, preciso chegar a tempo no trabalho”. A senhora, com seu olhar terno de sempre, balançou a cabeça positivamente, concordando com o fim daquela conversa, o abraçou, o beijou no rosto e disse: “Vai em paz filho, continue no seu caminho, sendo esse homem de beleza inconfundível, de caráter e perseverança nos seus sonhos” Quando se afastaram um pouco a professora voltou a falar: “Hei, você apenas não me disse uma coisa, você hoje, atualmente, trabalha com o que?” Ele parou, olhou para seus olhos e como se sua alma se manifestasse naquele momento disse: “EU SOU UM PROFESSOR!” Os dois sorriram e continuaram seus caminhos, certos de que sua missão era maior do que uma transmissão de conhecimento, e sim de relações de caráter, dignidade e cidadania.
* Texto escrito em comemoração ao dia dos professores em 15 de outubro de 2007

2 comentários:
Gostei mto do texto André... Mto bonito e verdadeiro... Parabéns!!!!!!!
Bjo Dri :D
Grande André vc conseguiu fazer eu me emocionar e lemmbrar de vários encontros que tive após anos distnte daqueles que me ensinaram o caminho certo.. valeu ..
bju migow
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